Artigo Semanal: O silêncio do aluno

23/11/2016

 

 

O silêncio do aluno

 

Muitos alunos estão sem direção ou sem motivação.

 

Esses alunos não conhecem quase nada sobre as habilidades sociais necessárias para o trabalho em equipe, requisitos necessários para uma sociedade globalizada.

 

Estão apáticos em situações que exigem ação. Tornam-se hostis e destrutivos em contextos que requerem reflexão. Não desenvolveram os valores da tolerância, respeito, responsabilidade e solidariedade.

 

Quando perguntamos sobre os motivos dessas supostas dificuldades, as respostas são os males da sociedade. Os pais ausentes e o desmantelamento da família, deficiência da educação pública, a trivialidade da televisão e da cultura de massa, os estragos causados pelas drogas e pelo álcool. São todos os culpados pelo estado limitado da mente e da vida dos nossos alunos.

 

Recriminar o aluno tem sido a defesa convencional de alguns educadores. E esses rótulos dão um alívio adequado com relação a qualquer responsabilidade dos problemas enfrentados pelos alunos.

 

Existem alguns professores que passam a maior parte do tempo reclamando da qualidade dos alunos. Eles dizem que qualquer projeto educacional, para qualquer escola, nunca irá funcionar se não existir um processo seletivo para pais e alunos. Essa é uma forma de culpar o aluno pelo fracasso do projeto educacional. Esses professores se assemelham a alguns médicos em um hospital dizendo: "não mandem mais pessoas doentes, pois não sabemos o que fazer com eles. Mandem-nos pacientes saudáveis para que possamos parecer bons médicos".

 

Essa analogia ajuda a entender algo crucial sobre o magistério: o modo como diagnosticamos o estado dos nossos alunos determinará o tipo de estratégia pedagógica que se oferecerá. Geralmente nós, professores, destinamos pouco tempo uns com os outros para pensarmos sobre a situação dos alunos, sobre os incômodos para as quais a nossa prática docente deve ser a cura. Não há nada que se compare com "visitações clínicas", comuns em hospitais, sobretudo durante a residência médica, quando médicos, enfermeiros, terapeutas e uma equipe multiprofissional colabora no diagnóstico da necessidade de um paciente. Em vez disso, permitimos que nosso "modo de tratamento" seja moldado pelos estereótipos instintivos que temos dos alunos.

 

Os alunos, em muitas situações, são marginalizados em nossa sociedade. O silêncio, a apatia que enfrentamos na sala de aula é aquela que sempre foi adotada pelas pessoas que estão à margem - pessoas que têm motivo para recear quem está no poder e que aprenderam que é seguro não falar e não se manifestar. Seu silêncio não se origina da estupidez ou da habilidade, mas de um desejo de se se proteger e sobreviver. Por trás de seu silêncio temeroso, nossos alunos querem encontrar sua voz, dizer algo com ela e serem ouvidos. Um bom professor é aquele que ouve essas vozes mesmo antes de dizerem algo e sabemos, também, que os professores que ouvem seus alunos passam a se sentir mais desafiados e entusiasmados com o trabalho. Os alunos sentem-se mais confiantes e interessados pelos estudos. Começam a gostar da escola e a respeitar seu espaço. Desenvolvem ainda a capacidade de exercer sua cidadania e passam a compreender o sentido dos estudos para a vida. 

 

 

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