Artigo Semanal: O casamento entre o conhecimento e o professor

09/11/2016

 

O casamento entre o conhecimento e o professor

 

Estou plenamente ciente de que o casamento entre o conhecimento e o professor nem sempre produziu descendente admirável. Mas a história de quarenta anos de trabalho junto a professores e outros profissionais da educação, professores das boas práticas, das leituras e até mesmo dos erros cometidos, compartilho nos artigos que escrevo para o Instituto Brasileiro de Formação de Educadores (IBFE) e é por meio desses artigos que apresento as principais técnicas de uma rica experiência como professor e gestor em todos os níveis de ensino de escolas públicas e privadas. E me culpo por tê-los praticado apenas em parte.

 

A escola é o espaço da heterogeneidade e, por consequência, um excelente laboratório para a vida adulta. A sala de aula não é algo sem vida, dolente ou confuso, a sala de aula é o local mais nobre de qualquer organização educacional. Desenvolver bons valores, autonomia e autodidatismo é o maior legado do professor. Este se torna dispensável com o passar dos anos, mas os seus ensinamentos repercutirão por várias gerações. Nada é mais bela que a missão do professor. E, como professor, não temos o direito de ser medíocres.

 

Inúmeras vezes perguntei:

 

Por que temos tanta dificuldade em ver como nossos alunos são de verdade? Por que diagnosticamos seu estado em termos doentios que nos levam a formas de ensino letais? A resposta é simples: nosso diagnóstico nos permite ignorar nossas falhas como professor ao culpar as vítimas.

 

Aula que tem de ser dada merece ser bem dada, e, para tanto, bem preparada. Dar uma boa aula não é difícil e, ainda, é uma extraordinária terapia. O difícil é dar uma boa aula e manter a motivação e a disciplina. Sem disciplina não há aprendizagem na escola, nem para a vida. Há métodos que podem ajudar a fazer isso, mas antes de entender os métodos deve-se entender o medo que existe na essência dos alunos- e o medo do professor.

 

A didática é essencial, com a premissa de que no ambiente da sala de aula são intensas e constantes as mudanças, o que requer atualização constante do professor. A paixão pelo ensino e a vontade de investir na própria formação demonstram quem realmente quer ser um bom profissional. O bom educador é um eterno aprendiz, mantendo-se atualizado nos avanços da sua matéria e das novas práticas e tecnologias educacionais.

Dia após dia, ano após ano, entramos em salas de aula e vemos rostos mais jovens que parecem sinalizar, de uma maneira delicada: "você está ultrapassado". É assim que nós às vezes interpretamos os sinais que os alunos mandam quando, na verdade, eles são sinais de medo, e não de pouco caso.

 

A estagnação é o estado escolhido pelos professores que se sentem ameaçados pelos alunos e que se escondem atrás de suas qualificações, de suas mesas, de seu status, de suas pesquisas. Ironicamente, a escolha pela estagnação reflete a falta de envolvimento com os alunos que eles temem.

 

No convívio com os educandos, é imperativo o equilíbrio entre afeto e disciplina. Uma relação que deve ser intensa e proativa, jamais morna ou tépida.

 

É imprescindível que haja unidade de ação e verbalização do professor e equipe pedagógica diante dos alunos e de familiares, para minimizar posturas antagonistas de alguns pais - como se família e escola estivessem em trincheiras opostas.  É claro que a comunidade educacional nem sempre está na sua melhor forma, e a família também. A tolerância ao erro, dentro de certos limites, é um benefício e um aprendizado para a vida adulta. Sigmund Freud bem dizia: "educar é uma daquelas atividades em que errar é inevitável".

 

Ah! Quanto a técnica para encontrar soluções para os problemas das salas de aula, esclareço que, quando a prática docente é reduzida à técnica, diminuímos os professores e seu ofício e as pessoas não voltam de bom grado a uma conversa em que são diminuídas.

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